Cristãos chineses obrigados a substituir símbolos de Cristo por quadros de Xi Jinping

As autoridades de uma comunidade do sul da China com uma considerável presença de cristãos estão a obrigar o cristãos locais a substituir os retratos de Jesus Cristo, cruzes e outros símbolos religiosos que têm em casa por imagens do Presidente chinês, Xi Jinping.

Milhares de cristãos de Yugan, na província de Jiangxi, no sudeste do país, cederam à pressão das autoridades, alguns sob ameaças de deixar de receber subsídios de combate à pobreza.

 

Segundo o South China Morning Post, 10% da população em Yugan vive abaixo do nível de pobreza (com menos de 85 cêntimos por dia), percentagem que coincide com a de cristãos na região.

 

Entretanto, explica o jornal, as autoridades locais lançaram agora uma campanha que visa “transformar crentes na religião em crentes no Partido“, que inclui a entrega de centenas de retratos do presidente Xi e visitas dos líderes locais a comunidades cristãs para as convencer a substituir as imagens religiosas.

 

“Muitos camponeses são ignorantes, acreditam que Deus é o seu salvador, mas depois do trabalho dos líderes perceberão os seus erros e verão que já não se devem apoiar em Jesus, mas sim no Partido Comunista“, destacou o presidente de uma das assembleias locais, Qi Yan, citado pelo South China Morning Post.

 

O aumento da concentração de poder nas mãos de um só líder, Xi Jinping, é um processo que não ocorria na China desde a morte de Mao Tsé-Tung, há 41 anos.

 

Foi precisamente a partir do fim desse movimento que distintos ramos do cristianismo foram entrando em comunidades rurais e urbanas de algumas partes da China, formando uma comunidade religiosa crescente que, segundo algumas estimativas, já supera os 90 milhões de membros do Partido Comunista.

 

Durante o governo de Xi houve um aumento das pressões do regime contra as crenças religiosas, como a retirada em massa de símbolos cristãos no leste do país ou várias medidas de limitação da fé islâmica no noroeste, sob a justificativa da luta contra o jihadismo.

EFE

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