Como se explica a afirmação: «o homem é criado à imagem de Deus»?

Esta afirmação não é um produto da imaginação humana nem resulta de nenhuma teoria sobre o ser humano desenvolvida por filósofos ou teólogos. Faz parte da Revelação divina contida na Sagrada Escritura. Logo no primeiro livro da Bíblia, o Livro do Génesis, afirma o Autor sagrado: «Deus disse: “Façamos o ser humano à nossa imagem, à nossa semelhança (…)”.

Deus criou o ser humano à sua imagem, criou-o à imagem de Deus; Ele os criou homem e mulher» (1, 26-27).

A vocação do ser humano é, portanto, ser imagem e semelhança de Deus, tendo sido criado para viver no mundo, aperfeiçoando-o, dando continuidade à obra criadora de Deus.

Criado à imagem e semelhança de Deus, o ser humano é a única criatura capaz de conhecer e amar, na liberdade, o próprio Criador. É a única criatura, nesta terra, que Deus quis por si mesma e que chamou a partilhar a sua vida divina, no conhecimento e no amor. Enquanto criado à imagem de Deus, o homem tem a dignidade de pessoa: não é uma coisa mas alguém, capaz de se conhecer a si mesmo, de se dar livremente e de entrar em comunhão com Deus e com as outras pessoas (cf. Catecismo da Igreja Católica, nn. 355-360).

Dito de modo mais simples, afirmar que o ser humano é imagem e semelhança de Deus significa colocá-lo à parte, no contexto da criação. Sendo igualmente criatura de Deus, como todas as outras que compõem o universo, distingue-se delas por ter qualidades que nenhuma outra criatura apresenta.

Em termos cristãos, esta diferença qualitativa explicita-se na afirmação de que o ser humano é dotado por Deus, no momento da sua conceção, de uma alma imortal e, por isso, «é um ser ao mesmo tempo corporal e espiritual» (cf. Catecismo da Igreja Católica, nn. 362-367).

M.A.

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