Escolhe bem o saco das sementes…

Quando pensamos num semeador, idealizamos um homem simples, de tez escurecida pelo sol, com roupas gastas pelo tempo e pelo trabalho, com um chapéu roto, sinal da resiliência de quem o usa. Além disso, vemos essa pessoa com um saco fundo e carregado.

Visualizando esta imagem, focamos apenas a imagem a partir do qual identificamos o sujeito. O que dá sentido ao semeador é o que que se encontra dentro do saco: as sementes.

As sementes são pequenas, parecendo insignificantes e sem valor algum. Na verdade, só pensamos nelas quando reparamos nos seus frutos.

Olha à tua volta! Não parece que tudo é vida, que tudo se move, nasce, transforma e que passa? Pensa na semente originária… Qual será?

Todos nós desejamos grandes coisas e resultados espetaculares, pois a nossa jovialidade assim nos impele.

Esses desejos são as sementes! De que matéria são feitas? Onde as vamos plantar? Como as escolhemos?

Primeiro temos de perceber de que matéria somos feitos. Isso dirá muito das nossas sementes. Já pensaste de que matéria és feito? Certamente que sim. Somos feitos de amor. Sim, amor. É essa a semente originária! Espantado? Volta a olhar à tua volta e repara na beleza que nos envolve: flores, rios, mares, montanhas, sol, lua… A beleza só pode advir do amor! Nós, humanos, somos o expoente máximo desse amor que vem de Deus. Somos responsáveis pela restante criação, logo somos os semeadores desta “casa comum” que é o mundo.

As nossas vidas são os campos férteis e o nosso coração é o saco das sementes. Dentro desse saco só existem as sementes do bem, da bondade, do amor, da paixão e da compaixão.

Nós temos a missão de colocar a mão no saco e de lançar as sementes na vida dos outros. No entanto, pela condição humana, dentro de nós existem “muitos outros sacos” no qual introduzimos a mão que semeia. Por isso temos de escolher bem as sementes que queremos lançar à terra. Temos de colocar a mão no melhor saco: o nosso coração. Essas sementes farão crescer novos semeadores e a beleza irá perdurar.

Quando lançamos as boas sementes, por vezes não vemos frutos. Desistimos, ficamos frustrados, procuramos outras sementes para lançar e, pela ambição do fruto rápido, recorremos a todos os sacos. Não tem uma semente de ter o seu tempo para crescer? Não entendes que os terrenos são todos diferentes? É necessário paciência, cuidado, tempo e muito, muito amor. Experimenta semear com estas virtudes e verás que o fruto será abundante e infinito.

Deus deu-nos um saco cheio de boas sementes e esta missão de sermos semeadores. Por isso, coloca a mão no melhor saco e na tua mão encontrarás a beleza e o sentido da tua vida.

A seu tempo perceberás que a brevidade da tua vida se tornará eterna.

Plácido Santos

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