Sacramento do Perdão, Sinal de Cura

Depois de termos considerado os sacramentos da iniciação cristã – Batismo, Confirmação e Eucaristia – podemos agora voltar a nossa atenção para os restantes sacramentos. Começaremos pelo sacramento da Penitência, também conhecido como Confissão ou Reconciliação, um dos chamados sacramentos de cura.

Quando somos batizados, recebemos como dom a forma, a vida e a luz de Cristo. A forma de Cristo torna-nos semelhantes a Ele, de tal modo que outros O devem reconhecer em nós. No entanto, pelo pecado, esta pode deformar-se e perdemos essa semelhança. Do mesmo modo, a vida de Cristo, vida sobrenatural que começou em nós com o Batismo, pode adoecer e enfraquecer, ou chegar mesmo a morrer pelo pecado. Também a luz de Cristo, que em nós deve brilhar para iluminar a nossa existência e a de outros, se dela não cuidarmos, pode diminuir e até extinguir-se.

Trazemos este tesouro em vasos de barro. A vida cristã é campo de batalha entre a graça que em nós renova e fortalece o dom recebido no Batismo e o pecado que o corrompe e enfraquece. Pela ação do Espírito Santo, a Igreja continua o ministério de cura de Jesus através dos sacramentos da Penitência e da Unção dos Enfermos, permitindo aos crentes a possibilidade de receber de novo o perdão dos pecados e regressar ao caminho da conversão ao seu Deus e Senhor.

A Igreja, composta de membros pecadores, encontra assim na Penitência a possibilidade de uma segunda conversão depois do Batismo para os que caíram em pecado grave e perderam, desse modo, a graça batismal, ferindo também a comunhão eclesial.

A palavra penitência pode surpreender-nos e parecer-nos algo negativa, mas ela expressa sobretudo esta realidade de conversão tão necessária à nossa vida cristã, que não é mais que voltar-se para Deus pedindo-Lhe de novo a graça do perdão alcançada por Jesus na cruz. Outro nome que se lhe costuma dar é Confissão, pelo momento em que o penitente deve confessar os seus pecados. Outro nome é Reconciliação, tomando mais em conta os efeitos do sacramento.

Este sacramento foi instituído por Cristo quando apareceu ressuscitado aos seus Apóstolos, soprando sobre eles e dizendo: «Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos» (Jo 20, 22-23).

Por outro lado, o episódio da cura do paralítico, descido do teto por quatro homens (Mc 2, 1-5), recorda- nos que o milagre mais importante que Jesus vem realizar é o perdão dos pecados. O milagre visível da cura não procura senão ser sinal da cura maior, a invisível, o perdão dos pecados para restaurar a comunhão com Deus e o seu povo.

O sacramento dar-se-á, à semelhança desse milagre, no encontro entre o penitente que se aproxima e confessa arrependido os seus pecados e o ministro do sacramento que, em nome de Deus e da Igreja, concede o perdão dos pecados e pede por eles uma chamada satisfação ou penitência, com vista à cura espiritual do penitente. Veremos em breve alguns aspetos do ritual do sacramento e alguns dos elementos que devem estar presentes.

João de Brito, s.j.

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