Liturgia do 33º Domingo Comum – Ano A

Que fizeste da tua vida?

Prov 31, 10-31; 1Tes 5, 1-6; Mt 25, 14-30


1. “Um homem, ao partir de viagem, chamou os seus servos e confiou-lhes os seus bens… a cada um conforme a sua capacidade”. A seu tempo, esse mesmo senhor voltou para pedir contas daquilo que lhes entregara. Que ensinamento nos vem desta palavra anunciada por Jesus? Todos somos “negociadores” dos talentos de Deus. Nas partilhas que Deus fez connosco couberam-nos dons inimagináveis de natureza e graça. De que modo é que lidamos com eles? Como é que os que fazemos render? Que influência tem a minha vida no andamento do mundo, da Igreja ou da porção de responsabilidade que me foi confiada? Como cristãos, que bem conhecem donde partiu a sua vida e para onde é que ela vai, temos responsabilidades acrescidas na condução deste mundo.

Não podemos ser cofres fechados que guardam para si próprios os tesouros que nos foram confiados.


2. Que fizeste da tua vida? Perguntar-nos-á um dia o Senhor. As contas de Deus são exames do amor, pelo qual seremos avaliados no fim dos nossos dias. Para o Evangelho, a vida do cristão é uma missão. Há sempre que fazer para aqueles que querem gastar o próprio tempo e as próprias capacidades no serviço de Deus e do próximo. O fenómeno moderno do “voluntariado”, que exalta a gratuidade e a generosa doação das nossas energias e do nosso tempo aos outros, é um dos sinais mais belos de uma consciência nova que está a crescer. Somos todos “voluntários de Deus” dispostos a gastar o nosso tempo pelas causas mais sublimes.
Há certamente quem privilegia o divertimento, o consumismo ou a vida fútil, no modo de gastar o seu tempo. Mas há também quem faz do seu tempo um instrumento precioso para fazer o bem, seja a quem for e seja onde for. Não podemos ser cofres fechados que guardam para si próprios os tesouros que nos foram confiados. Somos contentores de dons preciosos para fazer crescer e distribuir. Quanto bem poderíamos fazer, se os cofres da nossa vida se abrissem em ações benfazejas.

3. “Estende a tua mão ao pobre” (Sir 7, 32)
Neste penúltimo domingo do tempo comum, o Papa Francisco pede-nos que olhemos para os mais esquecidos das nossas sociedades: os pobres.
«Estende a mão ao pobre» é o título da sua mensagem: é um convite à responsabilidade, sob forma de empenho direto, de quem se sente parte do mesmo destino. É um encorajamento a assumir os pesos dos mais vulneráveis, como recorda São Paulo: «Pelo amor, fazei-vos servos uns dos outros. É que toda a Lei se cumpre plenamente nesta única palavra: ama o teu próximo como a ti mesmo. (…) Carregai as cargas uns dos outros» (Gal 5, 13-14; 6, 2). O Apóstolo ensina que a liberdade que nos foi dada com a morte e ressurreição de Jesus Cristo é, para cada um de nós, uma responsabilidade para colocar-se ao serviço dos outros, sobretudo dos mais frágeis. Não se trata duma exortação facultativa, mas duma condição da autenticidade da fé que professamos. “Estende a mão ao pobre” faz ressaltar, por contraste, a atitude de quantos conservam as mãos nos bolsos e não se deixam comover pela pobreza, da qual frequentemente são cúmplices também eles. A indiferença e o cinismo são o seu alimento diário. Que diferença relativamente às mãos generosas!» (Papa Francisco).

Darci Vilarinho

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